Calendário Amigável
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Maratona de Los Ângeles - 2004
A
Maratona de Los Ângeles introduziu uma batalha dos Sexos Adivinhe quem venceu! |
Ed
Eyestone - Revista Runner's World |
Tradução
de Fernando Soeiro |
Houve uma época em que correr uma maratona era uma façanha digna de grande repercussão nos noticiários - pense em todo o destaque na imprensa que o Pheidippedes já obteve nestes milênios desde que correu pela primeira vez aqueles 42 km de Maratona até Atenas. Mas hoje, com centenas de milhares de maratonistas correndo cada fim de semana do ano, eles não criam mais o mesmo alvoroço na mídia. Isto é, desde o último mês de março em Los Ângeles, quando a Maratona de Los Ângeles se tornou a primeira maratona a contrapor os rapazes contra as moças - e uma "moça" de 49 anos venceu. Os organizadores da Maratona de Los Ângeles tinham um plano simples: Um prêmio de US$ 25.000 e um carro novo para o primeiro colocado masculino e para a primeira colocada feminina, com um prêmio adicional de US$ 50.000 para o(a) primeiro(a) atleta que cruzasse a linha de chegada. O grupo de elite das mulheres largaria na frente dos homens, deixando aos homens o desafio de alcançar a primeira mulher antes que ela partisse a fita de chegada. Como definir um handicap legítimo para a primeira Maratona de Los Ângeles envolvendo uma batalha de sexos? Puristas em maratonas observariam que a diferença nos recordes mundiais - 2:04:55 de Paul Tergat versus 2:15:25 de Paula Radcliffe - é de somente 10 minutos e 30 segundos. Mas considerando-se que o tempo da Paula é cerca de dois minutos mais baixo que o de sua mais próxima concorrente, um handicap de 10:30 seria justo somente se a Paula Radcliffe estivesse competindo com o Paul Tergat. Além disso, por ser o papel de caça mais desgastante física e mentalmenteque o de caçador, o handicap das mulheres deveria levar em conta o fato delas serem a caça. O intervalo de tempo entre as largadas feminina e masculina foi então definido calculando-se a média das margens de vitória entre os homens e mulheres nas 18 Maratonas de Los Ângeles anteriroes: 20 minutos e 30 segundos. Deste modo o primeiro homem deveria correr em média 47 segundos por milha (29 segundos por km) mais rápido do que a primeira mulher para conseguir ultrapassá-la. As diferenças fisiológicas entre homens e mulheres fazem com que um handicap seja necessário para nivelar a competição. Os homens tem corações maiores, com maior volume, do que as mulheres, o que significa que o VO2 máximo (quantidade máxima de oxigênio que o corpo pode utilizar) do homem chega a ser 20 por cento superior ao da mulher. Os homens também carregam 11 por cento mais oxigênio no sangue do que as mulheres, o que lhes dá uma vantagem adicional num esforço prolongado. Os hormônios também influenciam. Para os homens, a testosterona constrói ossos e músculos e ajuda a reconstrução dos tecidos de ligamento - todos importantes para a corrida. Em contraste, o principal hormônio feminino, o estrogênio, favorece o acumulo de gordura, uma desvantagem óbvia. Se isso não bastasse, o físico também influencia a habilidade de correr. Os homens desenvolvem ombros mais largos, enquanto as mulheres desenvolvem quadris mais largos, o que faz com que o ângulo do fêmur do quadril ao joelho seja mais pronunciado na mulher, dificultando a corrida. Mas nem tudo é pior para as corredoras. Observações empíricas sugerem que as mulheres tendem a ser mais flexíveis que os homens. E quando se trata de queimar gorduras como combustível, algumas mulheres levam vantagem sobre os homens. Foi mostrado que mulheres destreinadas queimam gordura melhor que homens destreinados. Isso pode explicar porque as mulheres tem diminuido a diferença de tempo em relação aos homens em ultramaratonas. Algumas mulheres também passam com menos dificuldade pela "barreira dos 30 km" do que alguns maratonistas homens, talvez em parte devido a sua vantagem na queima de gordura e em parte por um senso melhor de ritmo. No início desta maratona de Los ângeles, parecia que os homens não teriam chances. Então o queniano David Kirui começou a correr no ritmo de 4:45 por milha (menos de 3 min por km). Na altura do km 30, Kirui estava num ritmo que permitiria que ele alcançasse a mulher que liderava, Tatyana Pozdnyakova, uma maratonista veterana da Ucrânia, mas ela cruzou a linha de chegada primeiro. Em última análise, o estabelecimento de um handicap na Maratona de Los Ângeles provocou excitação no público sobre a maratona. Os índices de audiência de TV foram 35 por cento superiores em relação aos anos anteriores. Dias antes da prova motoristas de taxi e empregados dos hotéis discutiam quem iria vencer. Talvez o melhor indicador do sucesso do evento foi a reação de minha filha de 7 anos quando eu expliquei para ela a idéia de rapazes-versus-moças. "Quem ganhou?" ela perguntou com antecipação. "Uma moça", eu disse. "Assombroso!" foi sua única resposta. |