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UM PRESENTE PRA LÁ DE ESPECIAL

Por Ricardo Dayan Lins Freitas

 

  Foto: Newton Braga
Eu e minha filha Fernanda, de 6 anos, tínhamos assistido no cinema ao desenho “Carros” no sábado, véspera da 1ª Corrida da Listel. Gostamos muito da mensagem deixada pelo filme de que, numa competição, ainda que não seja o primeiro a cruzar a linha de chegada, você já é um campeão, um vitorioso pela simples razão de ter completado o percurso e, especialmente, por ter ajudado um competidor que, por azar, sofrera algum acidente ou indisposição durante a competição.

Domingo, 13 de agosto, 9 horas, Eixão Norte. Sol impiedoso, de suar corredor sentado em meio fio. Fernanda passou pelo tapete de checkin e, por causa de sua estatura, se posicionou atrás do amontoado de atletas mirins. Eu estava preocupado, pois era a primeira vez que ela participava de uma corrida com distância de 2km e em que usaria chip colado no tênis. Pensei: “Vou correr com minha filha até onde ela agüentar...”. Dada a largada, ela já saiu correndo a todo vapor. Logo nos primeiros metros tive a delícia de correr ao lado de Fernanda e puxar o ritmo. Falei pra ela que corresse comigo devagar para chegar bem no final. Nunca imaginei que pudesse desfrutar deste prazeroso momento. Corri com minha filha e com outras tantas crianças entre meninos e meninas que pularam mais cedo de suas camas e deixaram suas casas de domingo, suas bonecas, seus carrinhos e videogames, seus livrinhos de histórias infanto-juvenis, porque tinham um dever a ser cumprido naquela manhã ensolarada.

Pedi a Fernanda que mantivesse o ritmo, não corresse forte e guardasse energia para o final do percurso. Ela me perguntava porque as outras crianças estavam na sua frente. Eu respondi que cada uma delas tinha um jeito de correr e que o importante era estar ali, correndo com todo mundo junto, como no filme “Carros”, e que quando cruzasse a linha de chegada iria receber uma linda medalha. Ela gostou de ouvir aquilo.

Na virada do percurso, Fernanda pediu água. No posto de distribuição, tratei de pegar um copo e nele fiz um pequeno furo, e pedi que ela diminuísse o ritmo, que não parasse, e bebesse uns goles devagarzinho. Ela parecia mesmo estar concentrada.

Faltando um pouco mais de 800 metros, perguntei a ela se estava tudo bem. Ela disse que sim. Então sugeri que se quisesse correr um pouquinho mais rápido eu a acompanharia. Incentivei um “se você quiser dar uma esticada até aquele poste (distância mais ou menos de 50 metros) pode ir. Vamos, eu vou junto com você!”. Ela deu a “esticada” até o poste. Depois voltou ao seu ritmo. A uns 500 metros para a chegada, sugeri a ela novamente a dar aquela “esticadinha” até o poste. Fez isso de novo.

A uns 200 metros avistamos o pórtico de chegada. E falei pra ela: “olha, tá vendo ali bem colorido? É a chegada! Vamos lá, você tá conseguindo. Tá ótimo. Quando passar da linha você vai ganhar uma medalha!”. 100 metros. “Isso! Vai lá!”. 50 metros. Deixei então ela correr sozinha e dar o seu minisprint final.

Fernanda completou o percurso de 2 km sem parar, como muitas outras valentes crianças, e foi coroada com uma linda medalha de encher os olhos! A Listel e o Cordf e todos os colaboradores deste evento estão de parabéns. Não deve ser nada fácil organizar uma corrida onde há participação de crianças de diferentes faixas etárias.

E saber que ao lado de suas bonecas, de seus carrinhos, de seus videogames e livros de historinhas, descansa mais um brinquedo. Porém, um brinquedo suado: a MEDALHA! Medalha nascida do suor, da garra e da coragem precoce dessas abençoadas crianças.

De todas as lembranças que tive no Dia dos Pais, esta corrida foi uma das mais emocionantes e simbolizou, para mim, um presente pra lá de especial.