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MARATONA DE PORTO ALEGRE - É ASSIM QUE NOS SENTIMOS: ESPECIAIS!!!!!!!!!

Por Graça Santiago Luongo

 

PORTO ALEGRE: Uma excelente maratona pra quem quer fazer parte de um grupo especial de corredores.

É assim que nos sentimos: ESPECIAIS!!!!!!!!!

Quando se inicia uma atividade esportiva, não se sabe direito aonde se pode chegar. Pode ser que se faça coisas incríveis, que se conheça pessoas bem legais, que se viaje muito, que se alcance grandes resultados e até que se colecione muitas medalhas, ou nada disso.

No nosso caso, somos marido e mulher, há mais de 21 anos de casados e com dois maravilhosos filhos: Marina Cristine com 20 anos e Caio Italo com 17, temos muitas histórias de sucesso para contar. Iniciamos nossas aventuras como corredores de rua há cinco anos atrás. Nossa primeira prova foi a Corrida de Reis aqui mesmo em nossa linda Brasília. De lá pra cá, não paramos mais. Já fizemos muitas, mas muitas corridas, mesmo. Temos lindas medalhas e lembranças incríveis. Colecionamos também grandes amigos e já ouvimos histórias fascinantes de corredores.

Quando se toma gosto pela coisa, fica fácil querer sempre mais e mais. Inspirados nas histórias de um experiente maratonista, amigo nosso, o Fernando Soeiro, elegemos Porto Alegre para realizar um dos tantos sonhos que temos.

Quando se decide correr uma maratona pela primeira vez, não se tem muita noção do que vem pela frente. A idéia de 42,195 km parece muito subjetiva. Foi assim que aconteceu conosco. Voltamos das férias de janeiro certos de que iríamos correr nossa primeira grande prova em maio. Informalmente, com a bagagem e experiência de quem já fez algumas meias maratonas, começamos a treinar, a ler artigos de revistas, a buscar notícias na Internet, a conversar com quem já tinha vivido essa aventura, etc.

O tempo foi passando e resolvemos contratar um profissional que pudesse nos dar toda orientação e treinamento para fazermos uma prova sem sofrimento. Foi aí que recebemos a indicação para treinarmos com o Professor de Educação Física Marquinhos Vinhal, profissional experiente e de grande competência. A partir daí, os objetivos foram traçados semana por semana cuidadosamente. E, após cada treino, havia uma avaliação que envolvia bem estar físico e mental.

Fomos progredindo diariamente. Fomos descansando também. Tomamos muito chá com bolo de banana em nosso apartamento para promover mais entrosamento com o treinador e esclarecimento de dúvidas e também acalmar a ansiedade que aflorava sempre à medida que se aproximava a data da maratona.

O volume de kms foi crescendo rapidamente, mas tudo dentro de uma análise que evidenciasse ganhos e bem estar. Finalmente maio chegou e fizemos a nossa inscrição. Já havíamos feito contato com o hotel e reservado um apartamento para nossa hospedagem.

Agora já não tinha mais volta. Apesar do friozinho na barriga naquela semana, logo procuramos encarar com alegria e entusiasmo a aventura que estava por vir. Os treinos estavam mais intensos. O volume de quilometragem bastante significativo. Estávamos nos sentindo muito bem e confiantes. Uma semana antes da prova, o treinador nos informou que era hora de “engordar”. Descansamos bastante.

Chegamos a Porto Alegre numa 4ª feira para fazer a ambientação climática. Sabíamos das temperaturas baixas e não queríamos congelar. Aproveitamos para conhecer a Serra Gaúcha e comprar chocolates. Tudo foi muito especial. As pessoas, os lugares, os restaurantes, a bela capital Gaúcha nos encantou. Sentimo-nos muito bem, parecia que já tínhamos estado lá. Identificamos parte do percurso e procuramos relaxar.

Havia em nossa planilha dois pequenos treinos de 30 minutos e procuramos fazê-los direitinho. Não foi nada fácil. Levantamos bem cedo, pegamos um táxi e fomos correr nas margens do Rio Guaíba. Estava muito frio: 7º C. A madrugada tinha estado mais fria ainda. Naquele momento, pedi a Deus que nos desse uma oportunidade de ver o sol no dia da maratona. E foi o que aconteceu. ELE generosamente permitiu que o sol desse o ar de sua graça, sem alterar a agradável temperatura daquela manhã.

A expectativa da véspera não nos causou nenhum medo. Tínhamos combinado com nosso treinador que nos manteríamos correndo durante toda a prova. Isso seria suficiente para terminarmos dentro do tempo estipulado pela organização. Era nossa primeira maratona e queríamos chegar bem e principalmente não sermos transportados pelo “lixão” (Van que vai atrás do último corredor recolhendo os desistentes).

Quando chegamos ao local da largada, ainda era madrugada, estava escuro e fazia muito frio. Estávamos bem agasalhados e, à medida que foi clareando o dia, a expectativa foi aumentando e uma grande alegria tomou conta de nós. Estávamos ali! E o grande momento estava para acontecer. Larguei às 7:35. Vinte e cinco minutos antes do Italo. Mulheres largam primeiro. O Italo largou logo em seguida, após a minha saída. Ainda no “curral” da largada, fiquei de lá a acenar e soltar beijinhos para ele que de lá sorria e acenava também para mim.

Foi uma experiência fantástica. Nos encontramos em dois pontos diferentes. Os primeiros 21 kms são dentro da cidade e o trecho permite que os corredores passem de um lado e do outro da avenida. Daí, mais uma vez nos cumprimentamos e falamos palavras de encorajamento. As camisetas usadas por nós serviram para nos identificar como corredores de Brasília, sendo possível ouvir comentários de encorajamento e até conhecer corredores brasilienses, que estavam participando do grande evento.

Tudo foi bem tranqüilo e surpreendentemente, dentro do que esperávamos até o km 30, 31, 32. Depois, foi mesmo só a certeza de que completaríamos a prova se soubéssemos nos manter emocionalmente equilibrados. Mais uma vez, nos encontramos em lados diferentes da avenida. Agora faltavam poucos km. Apesar do cansaço, ainda havia forças para palavras de carinho e incentivo. O que foi de fundamental importância àquela altura da competição.

O tempo transcorrido?!?!?!?!?!?! Ótimo tempo pra primeira vez! Digo que não se deve perguntar a um maratonista qual o tempo que ele levou pra completar uma prova. Mas que se deve perguntar sim, se foi tudo bem, se ele conseguiu chegar direitinho e se a recuperação foi boa.

Nós fizemos em: 4:21’ (Graça) e 4:19’ (Italo). Após o km 30 foi só cabeça, como diz o Marquinhos: o monge foi quem completou a prova. A recuperação foi excelente e o desejo de fazer uma próxima maratona no ano que vem já nasceu.

Vários fatores colaboraram para o nosso sucesso: a dedicação que tivemos com os treinos, com a alimentação, a seriedade com que nos tratou o treinador, a alegria de nossos familiares que evidenciavam orgulho por nossa coragem, nosso filho Caio Italo, que acordou algumas vezes cedinho para nos dar água e isotônico durantes os treinos longos, nossa filha Marina Cristine, que nos recebia com preocupação perguntando sempre quantos kms tínhamos feito e do que estávamos precisando para nos recuperarmos o mais rápido possível. Enfim, muita gente bacana, amigos de verdade, que colaboraram conosco para o passaporte de maratonistas.

Somos imensamente gratos a Deus, nosso pai criador, que nos permitiu, de forma feliz, realizar mais um sonho em nossas vidas. Somos imensamente gratos um ao outro por sermos parceiros fiéis também nas corridas.