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Maratona de Médoc - Celebração da Vida

Por João Roberto da Cunha

 

Saímos de Brasília na quinta-feira, dia 7 de setembro, com destino a Bordeaux. Depois de cinco trechos, três de avião e dois de carro - já que o trecho Congonhas-Guarulhos também é uma viagem de aventura -, terminamos a nossa primeira maratona. Lá chegando, pegamos o carro no próprio aeroporto e fomos para a cidade de Pauillac, onde ocorre a largada e a chegada da maratona. É uma cidade simpática, que fica a aproximadamente 50 Km de Bordeaux. A primeira dica: para quem quer curtir a região, a melhor maneira é de carro.

Em Médoc ficam os principais castelos produtores dos famosos vinhos “Grand Cru Classé” e é por esses castelos, através dos seus vinhedos, que a maratona se desenvolve. Na verdade, Bordeaux, a principal cidade da Aquitânia, também é uma denominação genérica para os vinhos daquela região, mas há muitas divisões e subdivisões: Médoc, Pomerol, Entre-Deux-Mers, Saint Emillion, dentre outras. Em Médoc há subdivisões como Saint Julien, Margaux e Pauillac. É um pouco complicado entender todas essas denominações, principalmente quando se trata de classificação de vinhos. A maratona é centrada em Pauillac, passando por algumas outras cidades da redondeza. A cidade deve ter uns 5 mil habitantes. Os passeios sempre giram em torno de visita aos inúmeros castelos da região. A maioria, incluindo alguns dos mais famosos, abre suas portas para a maratona, que é uma grande festa que antecede a colheita, como é comum nas regiões vinícolas. Dentro desse espírito, a maioria dos participantes corre fantasiada e está ali para um grande trote coletivo. São grupos de pessoas que vão para lá se divertir, além de correr, é claro. No jantar de massas do nosso hotel, na noite anterior, foi possível perceber o “espírito Médoc” – em todas as mesas uma garrafa de vinho. Durante a prova, pelos castelos da região, ocorrem as degustações. Desnecessário dizer que o vinho servido no Chateau Lafite-Rothschild não é o que custa mais de 200 Euros a garrafa. No entanto, os vinhos da degustação “eno-esportiva”, como eles falam, são bons (dentro dos meus parcos conhecimentos). Também há comida em abundância durante todo o trajeto, principalmente alguns frios, queijos, fruta frescas, frutas secas e bolos. No final da prova, lá pelo quilômetro 40, pode-se comer churrasco, ostras e sorvetes. A topografia, como havia imaginado, não é montanhosa, mas sim "colinosa", o que exige um preparo mais adequado, mesmo para quem vai apenas para completar a prova. Além disso, 35% do percurso são no cascalho. Para quem não está acostumado, isso cansa bastante. Se não fizer o calor de mais de 33 ºC, como aconteceu na prova deste ano, tudo fica mais fácil.

Em termos de paisagem, acho difícil que outra maratona tenha algo tão agradável de apreciar. No entanto, “fazer tempo” é um pouco complicado, mesmo para quem é elite, em função dessas características e do espírito festivo dos corredores durante todo o percurso. Nada de stress nem de competição entre os participantes. Acaba que você vai ao ritmo deles. Entra no clima sem perceber. A prova ocorre no sábado, são 8.500 participantes, sendo que a organização reserva um bom número de vagas para estrangeiros. Considerando que as cidades são pequenas, mesmo indo toda a população para a rua, como é o caso, não enche todo o percurso. No entanto, o índice de pessoas assistindo é bastante alto, uma vez que o trajeto passa por várias vilas, castelos e pontos de entroncamentos de estradas.

Havia uns 12 pontos de degustação em castelos. Alguns servem o vinho em taças de vidro. A maioria em copo de vidro - o respeito pela bebida dos deuses lá é grande. Água tem até demais. Porém, como eles servem à temperatura ambiente e estava a mais de 30 ºC, matar a sede não era fácil. Além da corrida, acontecem inúmeros eventos festivos. Depois da prova, à noite, acontece uma festa com queima de fogos de artifício, que apenas ouvimos do nosso quarto. Optamos por um jantar no próprio hotel. No dia seguinte também acontece uma caminhada com um almoço de massa. Também não participamos.

No entanto, enquanto passeávamos de carro pela região, cruzamos algumas vezes com os caminhantes. A caminhada contava com o apoio da organização da prova e com muitos participantes. Em resumo, é uma maratona tranqüila. Como já comentado, é um grande trote coletivo de confraternização, alegria e brindes à saúde física e mental. O limite para o término da prova é de 6h30m. Mas, no resultado final, tem gente com mais de 7h. Não sei qual foi o procedimento para esses casos. Cheguei com 5h40m e fiquei entre os 50% primeiros colocados. Foi o melhor resultado relativo da minha carreira de corredor pangaré. Pelo jeito, fui o único que tentou correr um pouco.

Cabe registrar aqui o tratamento atencioso da organização da prova, desde o momento da inscrição, passando pela entrega dos kits e até depois da chegada. A preocupação em tornar agradável a participação de todos os corredores foi constante. Para participar é preciso entender o “espírito Médoc”. A seguinte advertência está estampada no sítio da maratona http://www.marathondumedoc.com Para quem? Para os que consideram o esporte sinônimo de saúde, festa e confraternização. Se tristes, agressivos ou em busca de "tempo": abstenham-se!

 

FOTOS: 1 – Maratonistas chegando para a largada
  2 - O autor na área de concentração
  3 - Confraternização das equipes na concentração
  4 - Km20 – Flagrante do “espírito” da maratona